quinta-feira, 26 de maio de 2011

ÓTV - Você liga, liga você.

A proposta de mercado da ÓTV é bastante clara: um canal para tratar exclusivamente dos assuntos que interessam aos moradores da região de Curitiba. Um canal totalmente voltado à comunidade que procura suprir as necessidades intrínsecas da população no âmbito da economia, cultura, saúde e outros serviços que a TV aberta não tem disponibilidade de oferecer de forma tão direcionada.  Posicionada no canal 23 somente na NET Digital, a ÓTV custou R$ 25 milhões em investimento e atende um público bastante segmentado apesar da operadora NET ter sido escolhida justamente por atingir em maior número o público-alvo desejado.
A necessidade secundária para a criação dessa plataforma foi o complemento que a TV a cabo traz ao grupo GRPCOM que já conta com dois jornais impressos (Gazeta Do Povo e Folha de Londrina), duas emissoras de rádio (Mundo Livre e 98FM), um portal eletrônico (G1) e uma emissora de TV afiliada à Rede Globo (RPC). Como forma de acompanhar a evolução das mídias, a ÓTV procura conquistar o público com uma programação criativa e repleta de elementos que ressaltam a identidade cultural do curitibano.
O espaço publicitário foi cuidadosamente estudado e não compete com a TV aberta para manter o equilíbrio e as particularidades de cada um dos canais (ÓTV e RPC). A procura dos anunciantes por um espaço na grade nesta fase inicial de implantação, superou as expectativas e já é um dos primeiros pontos positivos do projeto.
Neste primeiro momento, a programação está concentrada no período das 17h à 00h – horário nobre da TV a cabo. Acredita-se que através da medição do gosto do público neste horário seja possível chegar a resultados mais precisos quanto a aceitação dos produtos veiculados bem como os pontos positivos e negativos dos programas-piloto. Ao todo são 28 programas que se dividem em veiculações diárias e semanais distribuídos nos gêneros de jornalismo, entretenimento, esportes, humor, música e entrevistas. Isso sem contar os programetes inseridos ao longo da grade que trazem informações de utilidade pública, curiosidades e peculiaridades da cidade de Curitiba.
Mas o que acontece durante o outro período em que estes programas não estão no ar? São exibidas imagens em tempo real de câmeras espalhadas pela cidade cobertas por um lettering com as principais manchetes da Gazeta do Povo e do portal G1 enquanto a programação da rádio Mundo Livre comanda a trilha sonora. Durante essas intervenções, pode haver o flagrante de um furo de reportagem em algum lugar da cidade. Caso isto ocorra, a equipe de jornalismo assume o horário para passar detalhadamente as informações.
A iniciativa do projeto partiu do ponto de vista de seus criadores acerca das necessidades midiáticas da comunidade. Essa primeira percepção foi comprovada através de pesquisas que mostraram que havia interesse da população em ter um canal voltado à identidade local. A escolha do nome veio de uma idéia bastante simples porém não menos criativa. Não há quem não conheça o símbolo universal de liga/desliga dos controles remotos de aparelhos eletrônicos. Aquele círculo com um risco vertical na parte superior forma o “Ó”. Juntando com TV, fica um nome curto e sonoro complementado pela assinatura: “ÓTV – Você liga, liga você”.
Outras características indiretas da ÓTV são um grande sinalizador de mercado para profissionais de jornalismo e Rádio/TV. Essa plataforma visa  formar profissionais para a RPC proporcionando o primeiro emprego para recém formados e oferecendo mais oportunidades especificamente para os radialistas (profissionais da radiodifusão que atuam tanto no rádio como na TV). Também proporcionou aos seus idealizadores a experiência de criar uma TV do zero com total autonomia sem as restrições normalmente impostas às sucursais pelas grandes redes como forma de padronizar a marca. Essa condição além de sedutora foi um grande desafio, pois exigiu muita análise de mercado, que por sua vez, resultou no aprofundamento do conhecimento na produção de TV.
Para quem já trabalhava nos bastidores dos estúdios, a ÓTV trouxe outra novidade: a inversão de papéis cedendo espaço à frente das câmeras aos profissionais que outrora participavam apenas da produção. Figuras já conhecidas pelo público como Herivelto Oliveira e Dulcinéia Novaes também estão na ÓTV em programas totalmente irreverentes podendo viver experiências diferentes do telejornalismo proposto pela RPC.
Os programas que se destacarem no canal a cabo terão espaço reservado na TV aberta para veiculação ao grande público. Essa é mais uma função da ÓTV: servir como oficina de profissionais e também teste para novos programas. Uma outra particularidade é a transmissão de esportes variados que normalmente não são veiculados em TV aberta como por exemplo o futsal.
Trabalhar este nicho de forma tão recortada dedicando-se a um universo tão restrito requer ousadia, porém é um importante passo para a diversificação dos padrões existentes hoje na TV a cabo. Aliado a tudo isso ainda há a preocupação de não deixar a interatividade de lado. Atualmente a ÓTV está nas principais redes sociais, possui uma plataforma de e-mail para obter o retorno do público e está aberta a críticas e sugestões.
Minha pergunta ao Marcelo Dias (diretor de Jornalismo) em sua palestra no último dia 18 do mês corrente, foi sobre a existência ou não de algum projeto para trazer o meio acadêmico para a tela da TV. Em resposta, ele afirmou que este interesse existe, porém nesta fase de implantação ainda é inviável. E como não está prevista a comercialização da grade horária para programas produzidos por terceiros, por ora nos resta aguardar.
A ÓTV chegou e veio com força total disposta a cativar o público curitibano que é bem conhecido por seu alto grau de exigência em TV. Antes de ser uma grande conquista para o grupo GRPCOM, esta iniciativa marca a fase de inovações e abertura efetiva do mercado aos profissionais de Comunicação Social, o que era uma das promessas da TV digital no Brasil.
Por Bruna de Oliveira
7º Período de Rádio/TV - UTP
Relatório valendo 1 ponto + presença na aula de laboratório de Rádio.

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